O LEED realmente transforma o mercado? Cinco mudanças que comprovam isso

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O CTE, membro do GBC Brasil, foi pioneiro na consultoria para certificação LEED e atualmente nos orgulhamos de ter atingido a marca de 100 projetos já certificados. Em um período de nove anos, desde a primeira certificação no Brasil, vivenciamos uma enorme transformação no mercado da construção, que merece ser compartilhada.

 

As mudanças foram rápidas e ocorreram em diversas áreas: tecnologias construtivas, competitividade das empresas no mercado, pesquisas científicas, cursos de capacitação, atuação de instituições, fabricantes, projetistas, órgãos públicos e investidores, etc. A seguir, destacamos cinco dessas principais mudanças:

 

  • No passado, existia um ceticismo inicial quanto à certificação LEED por uma boa parte de arquitetos e projetistas. Muitos acreditavam que era apenas um processo burocrático e não demandaria mudanças na sua habitual forma de trabalho. No entanto, a certificação colocou uma enorme pressão por projetos mais eficientes (como em energia, água e conforto térmico) e, atualmente, estudos sobre tecnologias de vidros, alternativas de proteção solar de fachadas (brises, telas, filmes, etc.), maior integração com os projetistas de ar condicionado e luminotécnica se tornaram práticas muito mais comuns no mercado. Muitos projetistas, atentos à tendência, até já se posicionaram como sendo “sustentáveis” para criar uma diferenciação frente a seus concorrentes.

 

  • Algumas disciplinas de projeto foram valorizadas, como a luminotécnica e o paisagismo, e passaram a ser vistas com a devida importância, inclusive deixando de ser contratadas apenas nas etapas finais do período do projeto e com objetivos apenas estéticos. Essas disciplinas possuem enorme representatividade quanto ao consumo de energia, retenção de água pluvial no terreno, consumo de água para irrigação, criação de biodiversidade, telhados verdes, redução de ilhas de calor, etc. Sem a valorização dessas disciplinas, os edifícios não atingiriam os resultados necessários para obtenção da certificação LEED.

 

  • A quantidade de profissionais especializados no assunto cresceu muito. No passado, era difícil encontrar profissionais com formação em sustentabilidade em edifícios e também não havia cursos e pós-graduações relativos ao tema no Brasil. Atualmente, existem diversos MBAs, cursos curtos e disciplinas específicas nas universidades de engenharia e arquitetura, além de um processo de acreditação de profissionais, hoje com mais de 240 profissionais qualificados como LEED-AP ou GA. Soma-se a esses fatos o aumento de profissionais no mercado com experiência prática, por terem atuado diretamente em projetos e obras sustentáveis nos últimos anos. Tudo isso fortalece o mercado, pois reduz a insegurança diante do tema pela falta de conhecimento, promovendo os investimentos no tema.

 

  • No início, as certificações aconteciam exclusivamente por iniciativas de organizações que, de forma pioneira, acreditavam em um potencial de diferenciação de seus edifícios, inexistindo outros mecanismos de incentivo para se investir nessa linha. Hoje, já existem algumas linhas de financiamento diferenciadas de bancos privados para edifícios sustentáveis, a Caixa Econômica Federal promove o seu selo verde Casa Azul, algumas prefeituras criaram seus programas de edifícios verdes (como o Qualiverde Rio, BH Sustentável), o BNDES forneceu melhores taxas de financiamento para os estádios que buscaram a certificação LEED e lançou portaria que exige atributos sustentáveis em prédios públicos, dentre outras.

 

  • Boa parte das tecnologias necessárias não estava disponível no mercado nacional quando começou este movimento pela construção sustentável. E, quando as tecnologias existiam, não atendiam a demanda comercial, requerendo maiores investimentos com importações ou desenvolvimento de fornecedores. Em razão do aumento da demanda, houve um bom avanço tecnológico, visto que surgiram muitos fornecedores e novos produtos, tais como: sistemas de tratamento de água pluvial, alternativas de telhados verdes, vasos e torneiras de baixo consumo, maior quantidade de fornecedores de madeira com FSC, mais alternativa de vidros de alto desempenho, equipamentos de ar condicionado, elevadores e sistemas de iluminação mais eficientes.

 

Tais mudanças foram fundamentais para evolução do mercado e, para que elas acontecessem, muitas barreiras tiveram que ser transpostas. O empenho e a crença de que a sustentabilidade é o único caminho viável para o futuro direcionou os esforços de muitos profissionais e empresas nessa transformação.

 

No entanto, ao compararmos o Brasil ao EUA, país de origem da certificação LEED, percebe-se que ainda estamos em fase inicial de maturidade e há muito que se fazer no que tange às certificações. Temos, com certeza, que manter nosso ritmo e empenho para construir um futuro mais sustentável. Esperar o futuro já não é mais suficiente, é preciso construí-lo!

 

Texto escrito por: Anderson Benite, Diretor da Unidade de Sustentabilidade da CTE – Centro de Tecnologia de Edificações, Engenheiro Civil e Mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da USP. MBA Executivo pelo Ibmec Business School. LEED Accredited Professional, Auditor Líder ISO 9001 e OHSAS 18001. Especialista em sustentabilidade e certificações Green Building, com experiência em mais de 100 edifícios certificados LEED, AQUA e Procel em todo Brasil.

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