OMS diz que poluição atmosférica mata oito milhões de pessoas por ano

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Esse artigo traz dados que relaciona a qualidade do ar ambiental, com o ar de ambientes internos no Brasil, trazendo um alerta ao uso de ar condicionado do tipo Split em ambientes de uso coletivo.

Recentemente, o Jornal Nacional da Rede Globo divulgou uma ampla matéria sobre a poluição do ar e os perigos causados a saúde da população. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 8 milhões de pessoas morrem por ano no mundo devido a poluição do ar ambiental.

Essa poluição causa danos à saúde das pessoas quando o material particulado fino entra no sistema respiratório, podendo chegar a corrente sanguínea, causando inflamação em veias e artérias levando a problemas cardiovasculares. Essas doenças são responsáveis por 80% das mortes relacionadas a poluição do ar.

O limite de material particulado no ar máximo aceitável, definido pela O.M.S, é de 80 microgramas de partículas por dia. No Brasil esse limite é o triplo, de 150 microgramas por dia.

Um estudo da Universidade de São Paulo, mostra que aconteceram 36.194 mortes no Estado do Rio de Janeiro no período de 2006 a 2012. Em São Paulo, de 2006 a 2011 o número de mortes foi 96.400 mortes por doenças respiratórias ou problemas cardiovasculares ligadas a poluição do ar.

E como é a qualidade do ar dentro de ambientes internos? Nos escritórios, residências, shoppings, supermercados, academias, ESCOLAS, entre outros locais que a população urbana passa mais de 80% do tempo. Ambientes internos podem ter qualidade do 2 a 3 vezes pior que o ambiente externo, segundo a O.M.S. Isso devido a poluentes internos como gases e materiais particulados, ambos gerados internamente, tais como gases voláteis de tintas, madeiras, colas de carpetes, CO2 gerados pela respiração humana, pele humana, entre outros.

Um sistema de ar condicionado bem projetado, instalado e mantido ajuda na melhoria da qualidade do ar interno, pois o sistema filtra partículas do ar e reduz a quantidade de gases internos através da troca com ar externo, previamente tratado.

O Brasil possui uma legislação federal da ANVISA – Agencia Nacional de Vigilância Sanitária que orienta que em ambientes climatizados sejam feitas analises do ar a cada 06 meses para verificar se esses poluentes internos estão dentro dos limites de tolerância estabelecidos.

Dados do laboratório Conforlab, especializado em análises ambientais, mostra que em 200.000 ambientes analisados nos últimos 05 anos, cerca de 52% das amostras apresentaram resultados de Dióxido de Carbono acima do limite de tolerância que é de 1.000 ppm (partículas por milhao). Esse indicador medido mostra que a maioria dos ambientes climatizados no pais estão com baixa renovação de ar.

Esse dado não é uma surpresa se comparado com dados divulgados pela ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento onde mostra que cerca de 80% dos equipamentos de climatização vendidos no Brasil são do tipo Split. A maioria desses equipamentos não possui previsão de instalação da renovação de ar externo e nem sistema de filtragem de ar de eficiência adequada.

Como muitos estabelecimentos comerciais, escolas, escritórios, auditórios, entre outros, estão utilizando esses equipamentos devido ao baixo custo de aquisição e instalação, a qualidade do ar interno está sendo prejudicada pela falta da renovação do ar e filtragem adequada.

Esses ambientes estão “lacrados” com pessoas dentro dele, respirando um ar cada vez mais carregado. Dados do EPA – Agencia de Proteção Ambiental dos EUA mostra que essa baixa qualidade do ar causa sonolência, dores de cabeça, cansaço, irritação nos olhos, transmissão de doenças, entre outros sintomas e doenças.

Por esse motivo, em muitos ambientes internos, principalmente em escolas, as crianças têm ficado doentes e os médicos relatam como a tradicional “virose”. Medições de CO2 nesses ambientes tem mostrado salas de aula com mais de 4.000 ppm de CO2, quando o limite definido pela ANVISA é de 1.000 ppm.

A solução para evitar essa situação é antes de INSTALAR um sistema de ar condicionado, consultar um profissional projetista ou consultor de ar condicionado e exigir o cumprimento da legislação nacional e das normas técnicas com a instalação de renovação e tratamento do ar adequado. Sistemas já instalados e em funcionamento, podem ser adequados dentro das boas práticas.

O INVESTIMENTO inicial maior irá trazer benefícios a médio e longo prazo aos usuários como redução de absenteísmo, custas médicas, aumento de produtividade. Estudos da Universidade Técnica da Dinamarca mostra que escolas com um sistema de ar condicionado com renovação do ar adequada, aumenta em cerca de 15% o rendimento dos alunos nas escolas. Se projetado em anos, um aluno aprende em 06 anos o que normalmente faria em 07 anos. Um ano de economia na vida escolar. Nem precisa ser bom aluno em matemática para saber que o retorno financeiro é imenso.

 

Texto escrito por: Eng. Leonardo Cozac, Diretor da Conforlab Engenharia Ambiental Ltda, Diretor da ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento  e Especialista em Qualidade do Ar Interno cerificado pela ACAC – American Council for Accredited Certification

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