Mais do que sustentável, restaurativa

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por Arthur Brito, LEED® AP BD+C, EDAC, DGNB Auditor, Diretor Executivo, Arquiteto – Kahn do Brasil Ltda, empresa membro do GBC Brasil.

Mais do que sustentável, restaurativa - GBC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A nova arquitetura, dita, sustentável pode ser assim qualificada?

Não. Claramente, a arquitetura rotulada com as certificações ainda não pode ser qualificada como sustentável, ou um paradigma para a produção da arquitetura do futuro. Existe uma clara confusão terminológica que põe em risco a credibilidade dos sistemas de certificação e, por consequência dos esforços do movimento sustentável.

O próprio LEED não utiliza o termo sustentável para descrever os edifícios certificados. Utiliza o termo green building, ou edifício verde. Esta qualificação tem como propósito a promoção da melhoria incremental, em direção à sustentabilidade.

Precisamos compreender o conceito sistêmico, sustentável, aplicável a uma construção: os impactos socioambientais da construção são menores do que a capacidade de regeneração dos sistemas naturais e estruturais (!), garantindo às gerações futuras oportunidades de atenderem às suas necessidades, assim como atendemos às nossas.

Em outras palavras, no quesito água, por exemplo, um empreendimento comum utiliza a água e a devolve para o sistema estrutural a uma qualidade (potabilidade) inferior à recebida, na forma de esgoto ou água não potável. A sustentabilidade é atingida, em teoria, quando o volume utilizado e prejuízo à qualidade da água forem inferiores à capacidade de regeneração do sistema hidrológico natural e estrutural.

Parece-me uma conta bastante difícil para aferição!! Portanto, muito arriscado para rotular qualquer edifício com estas características como sustentável. Prefiro os termos, caminhando em direção à sustentabilidade ou, simplesmente, verde.

Entretanto, se nós elaborarmos um projeto para uma construção que, após utilizar água, devolvesse-a para o sistema hidrológico estrutural ou natural, em uma qualidade superior à recebida, a conta da regeneração perde aplicação. Neste caso, quanto mais água nosso edifício consumir, melhor para o sistema! Irrefutavelmente, sustentável. Mais do que isto, restaurativo.

Proponho, pois, que passemos a buscar uma agenda positiva, ao invés de fazer menos mal, fazer bem; consumir menos, repor; impactar menos, recompor! A agenda restaurativa.

Esta metodologia já existe! O próprio LEED, em seu processo de melhoria incremental, almeja este status. O atual paradigma e plataforma mais difundida deste conceito é o The Living Building Challenge.

Nos próximos artigos, irei explorar as possibilidades e virtudes desta agenda.

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