A linha do tempo da sustentabilidade para os materiais da construção civil

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A fabricação de materiais para a construção civil brasileira sempre foi uma atividade essencial para a economia do país, desde o momento em que o Brasil iniciou a escalada de desenvolvimento e industrialização, em meados dos anos 30. A preocupação com o meio ambiente no setor veio em sintonia com outros segmentos da indústria nacional, como reflexo de movimentos nacionais e internacionais para resolução de acidentes ambientes ocorridos na época.

Após a criação e promulgação da Política Nacional do Meio Ambiente (1981), o Brasil se comprometeu a instrumentalizar medidas estatais e privadas para mitigar os impactos ambientais de diversas áreas da economia. Estavam sendo desenhadas ali ferramentas administrativas para licenciar, coordenar e punir empresas quanto ao atendimento da recente legislação ambiental. Controles ambientais passaram a ser “regra geral” e a diferenciação competitiva de algumas indústrias passou a ocorrer a partir da adoção de certificações do seu processo produtivo, com base na ISO 14.001 – Sistemas de Gestão Ambiental.

Porém, foi somente a partir dos selos ambientais para edifícios verdes, em meados de 2005, que de fato a indústria de materiais da construção civil começou a aprimorar seus produtos para divulgação de novos atributos ambientais. Tais diferenciais visavam atender à demanda de mercado frente ao principal selo green building adotado no país, o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), de origem norte-americana e o carro chefe das certificações mundiais.

A certificação LEED, sem dúvidas, induziu um movimento sem volta no país para os produtos da construção civil, e abriu portas para novas certificações, como o selo GBC Casa e Condomínio. Ao passar dos anos, a evolução dos selos e do mercado também influenciaram no nível de atributos sustentáveis requeridos para os matérias e é essa evolução que você poderá acompanhar a seguir.

 

 

LEED V2

O LEED v2 é a primeira versão do selo norte-americano utilizada no Brasil. Com um capítulo específico para materiais, a certificação introduziu 5 conceitos e atributos ambientais importantes para a indústria nacional: conteúdo reciclado (pré e pós consumo), conteúdo regional, conteúdo rapidamente renovável, madeira certificada FSC e quantidade de Compostos Orgânicos Voláteis em tintas, adesivos, revestimentos e selantes.

A preocupação volta-se, portanto, para a composição do produto e para o impacto do transporte e origem legal das matérias-primas.

O período da versão LEED v2 foi de adaptação, reflexão e aprendizado para a indústria de materiais brasileira.

 

LEED V3

 

 

 

 

Em sua versão 3, lançada em 2009, a certificação LEED reforçou a necessidade dos atributos de sustentabilidade de produtos, seja na composição ou no processo de extração das matérias-primas. O capítulo de materiais se manteve, assim como as suas exigências e diferenciais ambientais.

 

 

 

 

 

GBC CASA

 

 

Com os aprendizados obtidos nos projetos brasileiros certificados na versão LEED v3, o GBC Brasil lançou em 2014 a sua primeira certificação com enfoque no setor residencial. A priori, com critérios muito similares ao da versão 3 da certificação LEED, a primeira versão do guia SELO GBC BRASIL CASA atentou para a adoção de produtos certificados, porém expandindo o leque de certificações para outros programas com relevância nacional, como a CERFLOR, do Programa Brasileiro de Certificação Florestal. Na sua nova e atual edição, o selo traz novidades ao introduzir ainda mais selos nacionais para materiais, incluindo o Rótulo Ecológico da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e materiais com Declarações Ambientais do Produto (DAP) em conformidade com a norma ISO 14025 – Rotulagem Ambiental Tipo III.

 

 

 

 

 

LEED v4

 

 

 

 

É a partir da versão 4 da certificação LEED (lançada em 2016) que fortes novidades vêm à tona. Esta versão traz ferramentas avançadas para análise dos materiais e fornecedores, como a Análise de Ciclo de Vida (ACV) dos materiais, cuja metodologia visa mensurar os impactos ambientais dos produtos desde a extração das matérias-primas até sua disposição final.

 

 

 

 

 

 

As mudanças foram tantas que o USGBC disponibilizou um infográfico explicativo.

 

 

Com isso, a certificação LEED instigou uma transformação mais aprofundada do mercado de materiais, criando um ciclo de demanda do consumidor, sobretudo a partir de uma visão de eficiência e sistematização dos processos.

Além das ACV’s, os novos requisitos da certificação LEED v4 incluem critérios para a análise do grau de transparência dos fabricantes quanto às medidas de sustentabilidade adotadas ao longo dos anos e do seu comprometimento com a melhoria contínua, por meio de Relatórios de Sustentabilidade Corporativos. A análise da toxicidade dos produtos ganha também grande relevância, seja para promover ambientes mais saudáveis, seja para conscientizar o consumidor e o fabricante.

A transparência torna-se palavra-chave no LEED v4. Mais do que critérios de performance ambiental, a certificação mudou para dizer à indústria de materiais que informar o consumidor é o primeiro e o principal caminho da diferenciação.

Apesar das novidades, em pouco tempo o mercado já começou a responder aos novos critérios.

 

LEED V4.1

 

 

Quem disse que parou por aí? A pouquíssimo tempo saiu do forno a versão BETA da certificação LEED v4.1, trazendo alguns ajustes necessários à versão 4. De uma forma geral, as métricas foram flexibilizadas para algumas tipologias construtivas, mas os critérios e a abordagem permaneceram inalteradas.

A Análise de Ciclo de Vida continua como o principal indicador para nortear as equipes de projeto a especificarem materiais com menor impacto.

Neste sentido, é fundamental que os fabricantes estejam atentos às mudanças e ao fortalecimento de demandas criadas no mercado nacional e internacional.

 

 

 

Vale ressaltar que o crescimento do mercado green building é continuo no Brasil e que, apesar da queda de lançamentos nos últimos anos, o número de novos projetos se manteve em expansão. Ou seja, estamos em um caminho sem volta, onde a sustentabilidade irá nortear o rumo das novas edificações para um ambiente mais saudável, confortável e amigo da natureza.

E é com essa perspectiva que precisamos refletir: como os materiais do seu projeto podem ajudar o seu edifício ser mais sustentável? Quais os diferenciais sustentáveis reais do seu produto?

 

Pronto para aprender mais?

 

Por Adriana Hansen, Gerente de Consultoria de Sustentabilidade do CTE e Renato Salgado, Consultor de Sustentabilidade do CTE

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