Como incentivar nossa qualidade de vida?

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Por Eleonora Zioni

Ter qualidade de vida é uma meta que a maioria das pessoas possui. Entretanto hoje em dia é cada vez mais difícil atingir essa desejada qualidade de vida, já que a nossa rotina é cada vez mais complexa. Evidente que manter hábitos saudáveis, praticar exercícios físicos regularmente, beber água e alimentar-se bem ajudam a ter qualidade de vida. Vocês sabiam que morar ou trabalhar em um edifício sustentável também colabora com a nossa qualidade de vida?

Exatamente! Essa Greenbuilding Week de 2018, organizada pelo GBC Brasil, vai ajudar você a entender como se sentir bem nos ambientes construídos influencia a nossa percepção da vida. Afinal nós passamos muito mais tempo (90%) da nossa vida dentro de ambientes internos, conforme o estudo do World Green Building Council, de 2014. Só restam 10% do tempo de toda a nossa vida que permanecemos no ambiente externo; quando vamos ao parque, caminhar ou à praia.

Nós seres humanos percebemos e sentimos o mundo a nossa volta através dos nossos 5 sentidos: visão, audição, olfato, tato, paladar. Se uma pessoa tem uma deficiência em algum desses sentidos, o outro sentido é bastante exercitado e auxilia na percepção da vida. É o que acontece com os deficientes visuais que possuem uma audição ou olfato acentuados e conseguem viver com qualidade. O grande escritor, neurologista e professor da Universidade de Columbia, Oliver Sachs discorreu sobre esse tema no livro: ‘Os olhos da mente’, lançado em 2010. Compreender o dilema complexo e atual que existe entre a nossa mente e o cérebro, entender o quanto nós moldamos as nossas sensações através do cérebro e pelas experiências que vivemos, não é nada simples. Aliás, o próprio escritor Oliver Sachs foi perdendo a visão e a capacidade de ler, até falecer em 2015.

A sinestesia é a o cruzamento das sensações humanas, a relação espontânea que se verifica entre percepções de caráter diverso, mas intimamente interligadas. Por exemplo, um determinado ruído pode provocar uma imagem particular em uma pessoa, trazer lembranças boas ou ruins, e desencadear uma sequência de emoções. A psicologia ambiental e a arquitetura comportamental estudam essas relações do ambiente e do comportamento humano. Por causa da sinestesia, nós devemos buscar o conforto nos ambientes para conseguir atingir a qualidade de vida.

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Existem vários tipos de conforto: térmico, acústico, visual, lumínico, olfativo e ergonômico. Todos variam através de diferentes abordagens do espaço como temperatura, umidade, velocidade do ar, sons, iluminação, cores, qualidade do ar, antropometria, medidas e proporções, etc. Os diferentes tipos de conforto são afetados também pelos componentes culturais, pela fisiologia humana e pelos valores subjetivos pessoais. A somatória dessas influências resulta no conforto ambiental, ou conforto humano. Os edifícios sustentáveis privilegiam o conforto humano, ou seja, são feitos para que você sinta-se bem!

As certificações ambientais como LEED e WELL são as ferramentas desenvolvidas para conseguir medir os diferentes parâmetros nos edifícios e atingir o complexo objetivo de fazer as pessoas se sentirem bem.

Foi realizada uma pesquisa entre 2015 e 2017 em edifícios certificados em São Paulo, feita pelo GBC Brasil em parceria com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) para conferir o incentivo a saúde e o bem-estar dos ocupantes. Foram avaliadas as percepções de mais de 400 pessoas, que responderam anonimamente a um questionário sobre as instalações físicas do ambiente em que trabalham- escritórios certificados LEED CI. O nível de satisfação encontrado, de uma forma geral, foi de 76,7% de pessoas satisfeitas com o seu local de trabalho e o entorno. Um índice tão alto de satisfação foi conseguido por serem locais com certificação ambiental.

Como a satisfação com o ambiente é um dos fatores resultantes da sinestesia para gerar o conforto humano e influenciar a qualidade de vida, podemos comprovar que os edifícios sustentáveis realmente contribuem para o nosso bem-estar e melhoria da qualidade de vida.

 

 

Uma resposta

  1. Alexandre Dutra
    | Responder

    Informativa e incentivadora a matéria. Parabéns!

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