Estratégia organizacional, ativos imobiliários e certificação LEED

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As organizações empresariais são estruturas que, normalmente, dependem de extrema agilidade para manterem-se competitivas. São obrigadas a equilibrar uma infinidade de variáveis, internas e externas, para encontrarem o diferencial que as fará dar um passo adiante. Para este fim, fazem uso de uma série de ferramentas que incluem recursos de tecnologia da informação, equipamentos, recursos humanos, marketing e outros tantos reconhecidamente valiosos por estrategistas corporativos.

Em meio a este arcabouço de soluções para a estratégia organizacional estão os ativos imobiliários. Não imediatamente enxergados como tal, a localização, o tamanho e a aparência estão entre os fatores que definem o valor de um ativo imobiliário dentro do contexto corporativo. Há de se considerar também que, via de regra, o imóvel ocupado tem influência nos resultados operacionais e na imagem corporativa.

Equacionar um compêndio de ativos imobiliários de forma a obter o melhor resultado para a empresa é fundamental para o ganho de competitividade. Incluir, cada vez mais, aspectos relativos à eficiência e ao controle é primordial, pois é no resultado financeiro que está a sustentabilidade.

Outrossim, para potencializar o desempenho do ativo imobiliário, é possível recorrer, em boa parte, à matemática, à estatística, à engenharia e a processos no que tange à seleção e gestão dos referidos imóveis. No entanto, se é parte da estratégia, como forma de promover a imagem organizacional, utilizar-se da sua estrutura física imobiliária como meio de comunicação das boas práticas ambientais, é indubitavelmente conveniente recorrer às certificações ambientais.

Por sua vez, as certificações ambientais vêm crescendo em variedade, volume de edificações certificadas, tanto no Brasil como no exterior, e importância. A tarefa, no caso, passa a ser selecionar a certificação que mais esteja em acordo com o objetivo de comunicação pretendido.

Uma delas, a certificação LEED, já na quarta edição, consolidou-se como uma das mais representativas a nível global. As frequentes revisões indicam um claro amadurecimento do processo, o qual, por sua vez reflete o entendimento mais profundo das demandas de mercado, bem como seus aspectos técnicos e processuais. A última versão, a V4, introduziu novas exigências e possibilidades de obtenção dos já conhecidos créditos, as quais permitem observar o intuito das mudanças.

 

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Dois bons exemplos das adições feitas são a inclusão da análise do ciclo de vida das edificações como forma de medir e de, portanto, identificar oportunidades de redução do impacto ambiental e o do comissionamento das envoltórias. A primeira está bastante alinhada com uma crescente prática internacional relacionado à Análise de Ciclo de Vida (ACV) que já encontra eco aqui no Brasil. No entanto, pela sua singularidade no caso brasileiro, o comissionamento de envoltórias é objeto da análise seguinte:

Não é de hoje que o mercado de esquadrias discute a qualidade dos produtos entregues face à diversidade de fornecedores, materiais e tecnologias empregadas. A questão tangibilizada na norma de desempenho, a ABNT NBR 15.575, encontra novo acorde na certificação LEED que passa a exigir, caso o caminho para a obtenção do crédito referente ao “comissionamento estendido” seja o comissionamento da envoltória, a implantação de testes referentes à infiltração de ar, infiltração de água, exaustão, desempenho térmico, pressão, vazamento de ar e controle de ofuscamento.

Estas demandas, no formato em que foram consolidadas, são inéditas para o mercado brasileiro. Baseadas em normas americanas, não existiam na versão anterior da certificação LEED. A sua inclusão indica que o desempenho do edifício está sendo tratado sob um olhar cada vez mais rigoroso e que, num ciclo virtuoso, a obtenção de uma certificação LEED é indicador ainda mais seguro de que o produto imobiliário, objeto do processo de certificação, é merecedor do reconhecimento obtido. A consequência imediata é a possibilidade de inclusão do certificado na estratégia de comunicação de responsabilidade ambiental da organização. Seu conteúdo poderá ser explorado, na medida e no tempo certo, adequando-se às necessidades das equipes de trabalho e, por conseguinte, dos objetivos empresariais.

 

 

Texto escrito por:

David Douek, LEED AP, Diretor de desenvolvimento da OTEC, professor convidado do Green Building Council Brasil, mestrando pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA USP), arquiteto e urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP), administrador de empresas pela Universidade Mackenzie, especialista em Green Buildings pela Colorado State University e especialista em investimentos imobiliários pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

 

David Douek também é professor do Curso Online “Como se tornar um Profissional LEED O+M” do GBC Brasil. Conheça o curso aqui.

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