Materiais Sustentáveis: A Evolução e Perspectivas do Mercado

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Depois de meses em queda, a indústria de materiais da construção civil apresenta seus primeiros sinais de recuperação. De acordo com a publicação de outubro de 2017 da ABRAMAT, as vendas do setor registraram crescimento de 3,7% em relação ao mesmo mês de 2016 e de 4,2% em relação ao mês de setembro de 2017.

Nesse momento de retomada é fundamental que a indústria potencialize seu crescimento a partir de projetos que diferenciem seus produtos de forma alinhada às novas demandas do mercado, visando ainda, a redução de custos e o marketing para a marca.

Dentre as novas demandas, a sustentabilidade aparece em destaque. Segundo a Fundação Dom Cabral, o número de empresas onde a agenda de sustentabilidade é liderada pelo CEO chegou a 78% em 2016, mostrando a relevância do tema no ambiente corporativo.

Atualmente, os principais drives de atributos ambientais da indústria de materiais da construção civil brasileira são as certificações sustentáveis, com destaque para os selos LEED, AQUA-HQE e WELL. Tais certificações introduziram premissas diferenciadas para a seleção e compra de produtos, como: conteúdo reciclado, regionalidade, uso de madeira certificada, materiais de demolição, produtos com baixa emissão de composto orgânico volátil, dentre outros.

A adequação do mercado nos últimos 10 anos frente a esses requisitos é notória, com destaque para o atributo de baixa emissão de Compostos Orgânicos Voláteis (COV). Após o entendimento da importância sobre o tema, é possível constatar um crescimento contínuo de documentos comprovatórios sobre a concentração de COV em tintas, adesivos, revestimentos e selantes. O resultado dessa evolução é apresentado no gráfico abaixo, cujas informações foram obtidas no Banco de Dados de Materiais Sustentáveis do CTE que conta com mais de 800 declarações.

 

Gráfico 1 – Compilação dos documentos existentes no Banco de dados de Materiais Sustentáveis do CTE

 

A partir desses dados é fácil identificar que a iniciativa sustentável vem crescendo continuamente.

Agora, uma nova onda de atributos ambientais está nascendo no setor, em função do recém lançado referencial técnico LEED v4. Dentre as novas exigências, destacam-se: estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV); Declarações Ambientais de Produto (DAP ou EPDs) conforme ISO 14.025 e 14.040; Relatórios de Sustentabilidade Empresarial (RSE) com verificação de 3ª parte (GRI, Pacto Global e etc.); Health Product Declaration (HPD); certificação Cradle to Cradle Certified™, dentre outros.

 

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Nesse contexto, a indústria de materiais da construção civil deverá mais uma vez se atualizar ao mercado. De acordo com as pesquisas realizadas com 147 empresas pelo CTE, apenas 5,4% possuem a documentação que atenda uma parte das demandas da certificação LEED v4, apenas 2,0 % possuem HPDs, Certificado Cradle to Cradle Certified™ ou documentação sobre composição química dos produtos, enquanto 6,1% possui DAP/EPD para algum dos seus produtos.

Esses resultados evidenciam que os fabricantes que se atualizarem para atender às certificações em vigor estarão passos à frente no mercado, que conta com mais de 1700 empreendimentos em todo o país. O mesmo é válido para laboratórios que prestam serviço para essa indústria.

Fato é que a evolução do mercado de materiais sustentáveis na construção será natural, como ocorreu anteriormente. Cabe aos fabricantes desenharem a estratégia para se posicionarem de forma diferenciada e rápida, impulsionando o Brasil em um novo patamar de sustentabilidade.

 

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Texto escrito por:

Adriana Hansen, Guilherme Nascimento Vilares e Olivia Marques, do CTE – Centro de Tecnologia de Edificações, empresa Membro do GBC Brasil

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