Um Panorama do LEED e sua Internacionalização 

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Um dos grandes legados de Scot Horst na sua liderança dentro do USGBC foi a expansão das estratégias de crescimento global do LEED.

 

A abrangência global do LEED se estabelece na proposta de um conjunto de normativas padrão que inspiram um novo nível de edifícios de qualidade. Essas normas facilitam a compreensão das equipes de projeto em várias partes do mundo, de diferentes culturas, a responderem à complexidade dos edifícios. Os profissionais envolvidos em qualquer país facilmente entendem a questão da ventilação ou do consumo de água nos créditos do LEED e o entendimento destas e todas as demais questões ultrapassa as fronteiras.

O LEED é um sistema único que é aplicado em todo o mundo. Não existe um LEED diferente para o Brasil e para a China, por exemplo. Em vez de criar versões regionais do sistema de classificação, o mercado usa o mesmo sistema em todo o mundo. Como forma de proporcionar o intercambio e o desenvolvimento técnico entre os diferentes países, foi criado o LEED International Roundtable. Formado por um grupo de 38 organizações, a maioria dos quais representam um país onde o LEED está presente e atuante através de seus Green Building Councils locais. As discussões giram em torno do impacto e aplicação do sistema LEED por todos os países. Cada um de seus componentes serve como um grupo de auxilio do USGBC para o fomento e adaptabilidade da Certificação LEED localmente, com discussões de nível internacional. O LEED e a sua equipe, através do USGBC, funcionam como a inteligência central que une os conceitos, mas a função das mesas redondas LEED é distribuir essa inteligência para todos os outros países. Cada um deles conhece a indústria da construção regional e local e as práticas e normas que melhor funcionam onde eles estão, contribuindo para melhorar a aplicabilidade das normas.

 

PAÍSES REPRESENTADOS NO LEED INTERNATIONAL ROUNDTABLE

 

 

“O LEED trabalha nos níveis global, regional e local de forma integrada. LEED é global, pois é o mesmo sistema normatizado e padronizado que é utilizado em todas as partes do mundo. Isso significa que qualquer pessoa pode comparar um edifício em São Paulo com um em Nova York ou Xangai ou Estocolmo, com muita clareza” explica Scot Horst, Chief Product Officer do USGBC.

 

 

 

 

O LEED é também regional. Através dos Alternative Compliance Paths, ou Métodos Alternativos de Atendimento, que permitem que o LEED seja mais flexível e aplicável aos projetos localmente, respeitando as individualidades locais. Porem todos os itens devem ser aprovados pelo comitê Técnico do LEED.

As ACPs oferecem abordagens adicionais para créditos que tradicionalmente possam ser mais desafiadores para projetos fora dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que mantem o rigor e a consistência global da ferramenta. Em outras palavras, a ferramenta LEED pode ser aplicada globalmente, ao mesmo tempo em que respeita os métodos alternativos exclusivos de cada país. Um exemplo no Brasil é o Procel Edifica, reconhecido como pré-requisito para a pontuação no quesito Energia e Ambiente.

E, finalmente, o LEED é local. É local, porque os membros da Mesa Redonda Internacional LEED e os usuários em 150 países são as pessoas que representam o que está realmente acontecendo. Todo edifício verde é local. O sistema LEED une a todos, integrando todo o trabalho local num grande movimento de impacto global.

 

Normas para utilização local são discutidas e aprovadas para o Brasil

O USGBC (United States Green Building Council) em conjunto com os membros e representantes da América Latina como, GBC Argentina, GBC Brasil, Chile GBC, Colômbia GBC e Peru GBC se reuniram para discutir as barreiras técnicas e de mercado existentes no LEED em cada um de seus mercados locais propondo novas formas de atendimento dos mesmos, através das Alternative Compliance Paths (ACP).

Após uma rigorosa revisão das leis, normas e práticas locais, alguns créditos foram aprovados como ACP’s globais e outros como ACP’s específicas para a América do Sul e Brasil. Ou seja, créditos que podem ser atendidos de outra maneira, devido a determinadas dificuldades dos mercados locais. Entre as principais créditos aprovados na zona América do Sul estão:

SS Credit 4.3: Alternative Transportation – Low-Emitting and Fuel-Efficient Vehicles

Muitos veículos disponíveis na América do Sul não estão listados nos Guias de Classificação de Veículos para as emissões de gases poluentes. Desta forma, os projetos situados na América do Sul possuíam dificuldades de identificar os veículos que poderiam ser aprovados para o estacionamento preferencial. Uma norma do LEED de 2012, permitindo que veículos que possuam 4 estrelas no Programa Brasileiro de Etiquetagem do IBAMA Nota Verde, fossem considerados como veículos de baixa emissão e combustível eficiente para o propósito deste credito. Essa norma LEED foi adaptada em uma nova Alternative Compliance Path para todos os projetos situados na América do Sul. Assim, os projetos podem utilizar o programa Nota Verde do governo Brasileiro para a equivalência de veículos com baixa emissão de gases poluentes.

EA Prerequisite 2: Minimum Energy Performance

Os projetos no Brasil que sejam certificados nível “A” pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edifícios (PBE Edifica), para todos os sistemas avaliados (Envoltória, Sistema de Iluminação e Sistema de Condicionamento de Ar), podem atender este pré-requisito. Esta equivalência pode ser aplicada a todas as edificações comerciais, de serviços e públicas, à exceção dos edifícios destinados à assistência médica, data center, instalações industriais, armazéns e laboratórios. O objetivo deste pré-requisito é estabelecer um nível mínimo de eficiência energética para a edificação e os sistemas avaliados, visando reduzir os impactos ambientais e econômicos associados ao uso excessivo da energia.

EA Credit 6: Green Power

A América do Sul possui um potencial enorme para desenvolver energia renovável para atender a necessidade crescente de demanda energética. De acordo com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), tecnologias de baixo carbono já são prevalentes na região, ancoradas por recursos hidrológicos substanciais. O LEED preconiza que projetos possuam certificação do programa do Green-e. Os projetos que desejavam atender este crédito antes deveriam comprar energia renovável dentro dos Estados Unidos, limitando o potencial do crescimento de mercados de energia renovável. Projetos na América do Sul podem utilizar o Certificado de Energia Renovável como uma alternativa de atendimento ao Green-E. Este programa rastreia a geração e aquisição de energia renovável no Brasil e certifica a compra voluntaria de energia por meio da geração de Certificados de Energia Renovável. O Certificado Brasileiro refere-se somente à energia produzida no Brasil.

LEED EB O&M IEQc3.3: Green Cleaning – Purchase of Sustainable Cleaning Products and Materials

Este crédito exige a compra de materiais de limpeza que possuam o selo de Certificação Green Seal, que não é utilizado no Brasil. No Brasil, a ABNT e o Instituto Falcão Bauer são entidades participantes do GEN e, portanto, selos para Green Cleaning emitidos por eles podem atender os quesitos deste crédito. Além dos ACPS, o LEED trabalha com o conceito de ‘Créditos de Prioridade Regional’. Introduzido no LEED 2009 para incentivar o atendimento de créditos que se referem a prioridades ambientais especificas conforme localização geográfica, estes créditos são créditos existentes nos Rating Systems, que foram escolhidos pelo Comitê Nacional do GBC Brasil (LEED AP’s e GA’s) e Internacional do USGBC, como de particular importância para de terminadas áreas. O incentivo para o atendimento deste crédito é o ganho de ponto bônus. Se um crédito de prioridade regional é atendido, um ponto bônus é ganho na somatória total de pontos final. No LEED V4, esses créditos são acessíveis para qualquer projeto, em qualquer parte do mundo. Os ‘Créditos Pilotos’ possuem a intenção de facilitar a introdução de novos créditos dentro do LEED, que possuam linguagem, métodos alternativos de atendimento ou novas e inovadoras tecnologias e conceitos. O processo permite que os projetos testem créditos inovadores que ainda não tenham sido avaliados completamente pelo comitê LEED, não estando presentes dentro de nenhum Rating System.

 

Compreenda como funciona a ferramenta de Certificação Internacional LEED:

Faça o download aqui

 

Para o Brasil, por meio dos comitês técnicos LEED GA e AP, foram escolhidos 5 créditos pilotos com particular relevância para serem utilizados no país. Não existe o ganho extra de pontos, apenas uma indicação de que o credito escolhido representa uma boa escolha para o Brasil. Eles são listados abaixo com a justificativa de escolha por alguns dos participantes do comitê técnico:

 

Site development – protect or restore habitat

“No Brasil com a exploração dos recursos naturais e crescimento populacional desenfreado torna-se fundamental conservar áreas naturais existentes e restaurar áreas danificadas para promover a biodiversidade.” – Agatha Carvalho

 

Walkable project site

“É unanimidade o problema de transporte nas grandes cidades brasileiras, causando prejuízos incalculáveis. Esta questão não se restringe somente aos grandes congestionamentos de veículos, influencia diretamente na qualidade de vida de toda a população. O transtorno para se locomover causa problemas respiratórios para as pessoas, onerando o sistema de saúde. Não possuímos um padrão de calçadas, com uma infraestrutura mínima para que possamos nos locomover a pé. Caso a opção seja utilizar a bicicleta, o risco é ainda maior devido a pouca disponibilidade de ciclovias e falta de consciência dos motoristas. Associado a este caos urbano, a população é ainda carente de espaços coletivos para convivência, como parques e praças. Por estes motivos, a fim de promover a qualidade de vida urbana, acredito que este Pilot Credit é muito relevante para realidade do Brasil”.Vitor Tosetto

 

Local food production

“Melhorar alimentação das pessoas, ensinar a valorizar os espaços verdes e produtivos, reduzir consumo de comida industrializada, reduzir emissão de carbono”. – Alessandra Caiado

 

Integrative process

“Ainda temos a tendência de tratar a certificação como acessório, buscando soluções pontuais e o envolvimento de consultorias com foco apenas para a documentação do processo. Com os níveis atuais de ineficiência no processo de projeto, a valorização desta fase possui grande potencial, inclusive de trazer alinhamento à agenda sustentável, com redução do custo total do empreendimento, resultando em maior planejamento e projeto, e menor custo e impacto”. – Arthur Brito

 

Green training for contractors, trades, operators and service workers

“O treinamento de staff pré-ocupação é extremamente importante para assegurar que a edificação seja corretamente operada e assistida, mantendo a performance e desempenho energético previsto em projeto.” – Cintia Kawano

 

Matéria retirada da 4ª edição da Revista GBC Brasil.

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