Outro Olhar da Sustentabilidade – Parte 1/5

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Considerando o conceito dos três pilares da sustentabilidade (3P), que foi oficialmente apresentado na Conferência da África do Sul (Rio + 10), vale ressaltar que o “OLHAR” com que lidamos com os aspectos sociais (pessoas), ecológicos (planeta) e econômicos (prosperidade) é, na prática, extremamente importante.Nada é mais insustentável que não primar pela EXCELÊNCIA (fazer certo… na primeira vez). Quando você não faz certo na primeira vez e tem que refazer ou inutilizar algum produto ou serviço, recursos são desperdiçados. Essa é a obsessão dos seguidores do TQM (Gestão da Qualidade Total), que desenvolveram teorias e procedimentos para reduzir, se possível, zerar a ocorrência de defeitos ou erros na execução de um trabalho, pois isto é fonte de elevação de consumo de recurso (planeta), aumento dos custos de produção e, portanto, redução dos resultados operacionais da empresa (prosperidade), levando a sociedade a pagar mais pelo produto ou serviço (pessoas).

A negligência com a EXCELÊNCIA tem provocado desastres fantásticos. Quem não se lembra do naufrágio do Titanic, cuja tragédia foi provocada por utilização de arrebites de baixa qualidade, mudanças no projeto que reduziram a capacidade de flutuação do navio em caso de acidente e treinamento insuficiente da tripulação. No Brasil, temos o caso do Edifício Palace II, construído pela construtora Sersan, do deputado Sérgio Naya, que fugiu para os Estados Unidos logo após o desabamento, chegou a ficar preso, sob a acusação de que seria o responsável pelo desabamento, ao permitir o uso de materiais de segunda linha na construção, mas foi libertado, pois se conclui que o erro maior era a não excelência do cálculo estrutural.

EFICIÊNCIA (fazer da maneira certa) é a essência do espírito da sustentabilidade, FAZER COM MENOS, isto é, utilizar menos recursos na produção de um produto ou execução de um serviço. Um dos grandes exemplos de aumento de eficiência foi protagonizado pela humanidade. A teoria populacional malthusiana foi desenvolvida por Thomas Robert Malthus (1766 — 1834), que observou um grande crescimento populacional entre os anos 1785 e 1790, provocado pelo aumento da produção de alimentos, das melhores condições sanitárias e do aperfeiçoamento no combate às doenças. Fatos que fizeram com que a taxa de mortalidade diminuísse e a taxa de natalidade aumentasse. Malthus publicou, em 1798, An Essay on the Principle of Population, relatando suas ideias e preocupações acerca do crescimento da população. Alertava para o descompasso entre o crescimento geométrico da população, enquanto que a produção de alimentos crescia em progressão aritmética. Este descompasso acarretaria uma drástica escassez de alimentos, portanto, inevitavelmente, o crescimento populacional deveria ser controlado. As teorias de Malthus foram contrariadas no século XIX e XX, pela assombrosa revolução tecnológica, que trouxe um aumento fantástico na eficiência dos sistemas produtivos.

 

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Do ponto de vista da SUSTENTABILIDADE, embora a EFICIÊCIA seja de fato o seu coração, paradoxalmente, esta revolução tecnológica trouxe consigo um lado negativo devastador. O conforto advindo desta revolução, não só eliminou os riscos de carência apontados por Thomas R. Malthus, como despertou a CULTURA DO CONSUMISMO e o pior, atendeu perfeitamente ao aumento de demanda provocada por este excesso de desejo, potencializando os riscos ecológicos que vivemos atualmente neste pequeno planeta, dando razão às palavras de Albert Einstein: “tornou-se chocantemente óbvio  que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade” e tornando cada vez mais importante o alerta dado por Mahatma Gandhi – “Na terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns”.

Fica claro que somente a EXCELÊNCIA e a EFICIÊNCIA não bastam. Precisamos do terceiro “OLHAR”, o olhar da ÉTICA (fazer pelo motivo certo), que deve orientar as nossas ações, pois a sua ausência, segundo o Dalai Lama, é o motivador dos maiores problemas da sociedade atual. Exemplos não faltam, a empresa Enro quebrou devido à conduta pouco ética da sua presidência e diretoria, a crise de 2008 foi desencadeada pelo falta de ética do sistema financeiro americano. No Brasil temos exemplos atuais como o caso do processo Lava Jato, o Mensalão, etc.

Vale ressaltar que este comportamento balizado pela EXCELÊNCIA (fazer certo), EFICIÊNCIA (da maneira certa) e ÉTICA (pelos motivos certos) só é viável se for suportado por um conjunto de valores pessoais, principalmente, respeito, integridade, responsabilidade, humildade, coragem e solidariedade.

Se olharmos por esta visão de EXCELÊNCIA (fazer certo), EFICIÊNCIA (da maneira certa) e ÉTICA (pelos motivos certos), chegamos a uma definição pragmática da SUTENTABILIDADE.

“Fazer CERTO, da maneira CERTA, pelos motivos CERTOS”.

Definição que nos orienta, na prática, as ações que devemos tomar para estarmos sempre agindo na direção da SUSTENTABILIDADE.

 

Texto escrito por: 

 

Nelson Kawakami, Sócio-Diretor da C2KR Gestão Empresarial e ex Diretor Executivo do GBC Brasil.

 

 

 

 

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