Como incluir estratégias de sustentabilidade nas construções – para pequenas empresas

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Há alguns anos que converso com incorporadoras e construtoras sobre como melhorar o desempenho das construções incluindo estratégias de sustentabilidade. Porém, as empresas pequenas e médias geralmente acham que incluir essas questões em seus projetos está fora de suas alçadas. Mas por que elas pensam isso? Elenco aqui alguns motivos:

 

1 – É caro.
As empresas crêem que incluir estratégias de sustentabilidade sempre envolve custos extras, e montantes elevados. Porém, isso está longe de ser verdade. Quando as estratégias são pensadas desde a concepção do projeto, elas podem ter custo zero. Questões como o desenho arquitetônico, volumetria e orientação no terreno têm grandes impactos na eficiência e conforto térmico de uma edificação e não aumentam o custo do projeto se forem estudadas no início do seu desenvolvimento. Segundo o World Green Building Council, entidade global responsável por disseminar práticas sustentáveis de construção, o incremento no custo para prédios com certificações ambientais oscila de 0% a 4% para novas construções. No Brasil, o CTE fez um levantamento dentro dos empreendimentos certificados LEED com nossa consultoria e percebemos que o custo total da obra aumenta em média de 0,5% a 2,0%, dependendo do nível de certificação e da tipologia do projeto. Ou seja, um custo inexpressivo, principalmente se considerarmos as vantagens que um empreendimento certificado ganha em termos imobiliários – preço de locação 10% maior, taxa de vacância 3% menor que a média do mercado, preço de venda 5% maior.

 

2 – É complicado.
Empresas menores muitas vezes acham que será extremamente complexo implementar estratégias de sustentabilidade nas edificações e que seus processos de construção serão altamente impactados. Porém, a maioria das estratégias requer muito mais uma mudança de cultura e de hábitos do que efetivamente uma mudança de grande complexidade em sistemas ou tecnologias. Um bom exemplo é a gestão de resíduos durante a construção. Para fazermos a gestão correta e evitar envio de materiais para aterros, basta termos uma organização no canteiro de obras com locais separados para armazenamento dos tipos de resíduos e toda a equipe treinada para realiza-la da forma correta. Tem muito mais a ver com capacitação do que processos e sistemas complexos.

 

3 – O comprador não vê valor nisso.
Essa frase já é passado no mercado imobiliário. Um estudo realizado pelo World Green Building Council mostrou que inclusive no Brasil, um dos grandes motivos para obter uma certificação ambiental é a demanda dos clientes. Em São Paulo, uma pesquisa realizada pela Even com 1.200 potenciais compradores de imóveis residenciais em São Paulo revelou que mais de 60% deles consideram que a sustentabilidade influencia totalmente ou muito na compra de um imóvel. Além disso, as crises energéticas e hídricas que ocorreram no Brasil em 2015 contribuíram para um rápido aumento na procura por prédios mais eficientes. Até porque menos consumo de água e energia = menor taxa do condomínio = economia no bolso de quem paga!

 

Fonte: WORLD GREEN BUILDING TRENDS 2016: DEVELOPING MARKETS ACCELERATE GLOBAL GREEN GROWTH

 

Por isso, mesmo que você trabalhe numa empresa de pequeno ou médio porte, há muito que você pode fazer em relação aos seus projetos e obras para melhorar seu desempenho ambiental! Não precisa ter necessariamente um selo verde (LEED, AQUA ou Procel). Procure empresas especializadas para te ajudar, informe-se e ponha a mão na massa! E tenha certeza que os benefícios serão mensuráveis – seja em termos de redução de consumo de água, energia e materiais, valorização do empreendimento e até mesmo em economia durante a construção.

 

Artigo escrito pela Francine Vaz, Gerente da Filial do Rio de Janeiro – Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), empresa membro do GBC Brasil.

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