Vou fazer um retrofit: Como saber a viabilidade para o LEED O+M?

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O crescimento da aceitação da certificação LEED pelo mercado brasileiro como o reconhecimento da qualificação dos edifícios  em relação à sua sustentabilidade, tem provocado a curiosidade dos proprietários de edifícios existentes sobre as possibilidades de se alcançar a certificação LEED OM (Operations + Maintenance) quando são necessárias reformas para mantê-los na faixa de eficiência e modernidade requeridas pelo mercado.

Segundo estudo realizado pela Geoimóvel em 2016, os edifícios existentes que passam por adaptações e recebem melhorias conforme os requisitos da certificação LEED OM, quando comparados a edifícios convencionais, têm uma queda de R$ 0,81/m²/mês no custo médio do condomínio e aumento de R$ 10,4/m²/mês no valor médio do preço pedido de locação.

Buscando uma relação com os requisitos do LEED, verificamos que as principais abordagens também seriam a busca por eficiência energética e hídrica, bem como a melhoria da qualidade dos ambientes internos e a proteção do meio-ambiente. Em termos quantitativos, temos hoje alguns dados importantes que comprovam a eficácia da certificação LEED OM, como por exemplo, a pesquisa realizada em 2015 pela ABESCO (Associação Brasileira de Empresas de Serviços de Conservação de Energia) em 14 edifícios existentes que obtiveram esta certificação, que indicou um potencial de redução médio de 30% no seu consumo energético.

Aprofundando a análise, as principais linhas de ação de um retrofit encontram-se nas variáveis das categorias nas quais os créditos da certificação LEED OM se subdividem: Localização e Transporte, Terrenos Sustentáveis, Eficiência Hídrica, Energia e Atmosfera, Materiais e Recursos e Qualidade do Ambiente Interior.

De um modo geral, os créditos são atribuídos de acordo com o cumprimento das exigências do LEED e passam por:

  • Facilidades para o uso de transporte alternativo, incluindo vagas preferenciais para carros eficientes, bicicletários e vestiários;
  • Melhores práticas de gestão e manutenção das áreas externas do empreendimento com estratégias para áreas impermeáveis  e permeáveis;
  • Paisagismo sustentável e  gerenciamento águas pluviais;
  • Redução do efeito ilha de calor;
  • Preservação de habitats locais e diminuição da poluição luminosa;
  • Redução do consumo da água no interior e no exterior do edifício;
  • Melhores práticas de gestão da eficiência energética com redução de consumo;
  • Técnicas de medição e controle;
  • Uso de gases refrigerantes menos nocivos ao meio ambiente;
  • Adoção de práticas de comissionamento para controle energético;
  • Uso de energias renováveis e compensação de carbono;
  • Política de compras sustentáveis;
  • Política de gerenciamento de resíduos sólidos;
  • Política de limpeza verde;
  • Desempenho da qualidade do ar interno e conforto térmico;
  • Iluminação interna adequada, luz natural e vistas para o exterior.

Portanto, o processo de certificação LEED OM vai além da busca por economias e amplia o escopo das melhorias, servindo como guia para o processo de retrofit, ajudando os proprietários a obter melhores resultados na valorização de seu empreendimento.

Dados do estudo “World Green Building Trends 2016” realizado pela Dodge, Data and Analytics e a United Technologies Corporation em parceria com o World Green Building Council e os conselhos locais, dentre eles o GBC Brasil, demonstram que no Brasil prevê-se a redução nos custos operacionais dos retrofits verdes em 2018 para a faixa dos 13% após 5 anos, e a expectativa de payback para eles é de 4 anos. Este mesmo estudo realizado com pesquisas feitas em 69 países indicou um aumento médio de 7% no valor dos edifícios verdes em comparação com edifícios tradicionais.

Figura 1 – World Green Building Trends 2016 – Revista GBC Brasil, 8ª edição, 2016.

As vantagens de se buscar a certificação LEED OM para os edifícios existentes passíveis de um retrofit são inúmeras e comprovadas. Por ser uma certificação mundialmente aceita, além das vantagens econômicas, sociais e ambientais proporcionadas, confere a estes empreendimentos existentes a modernidade e a inclusão desejada no movimento do Green Building, ampliando o ciclo de vida destas edificações.

 

Texto escrito pela Arquiteta Marcia P. Davis – LEED AP BD+C, O+M, Diretora Geral da Novva Solutions, empresa Membro do GBC Brasil e Professora do Curso “Como se tornar um LEED AP O+M (Operations + Mantenance)” do GBC Brasil

 

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