Entrevista com Rodrigo Mizuno, Diretor do GrupoOrion

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e2Nesta semana tivemos a oportunidade de conversar com o Diretor do GrupoOrion, Rodrigo Mizuno. Veja como foi:

1 – Rodrigo Mizuno, recentemente realizamos uma entrevista com o Sr. Julio Molinari, Presidente da América Latina da Danfoss, (veja aqui) onde o questionamos acerca de como os produtores de materiais estão se preparando para o “novo” nicho de mercado que vem surgindo no Brasil, os Net Zero Energy, Water e Waste.  No seu caso, representando a área de tecnologias e facilities, quais são as novidades e desafios para esse nicho?

Rodrigo Mizuno: O Sr. Júlio Molinari disse muito bem que as tecnologias estão disponíveis, mas ainda temos um grande desafio em transformar a realidade. Para o setor de facilities, trabalhamos com a máxima de que não se pode controlar aquilo que não se pode medir, então o primeiro passo é contabilizar os gastos desnecessários com operações pouco eficientes. Diante dessa informação, as opções de economia são diversas e é essencial selecionar as melhores de forma personalizada e assertiva. A preocupação não deve ser apenas se os sistemas estão funcionando ou não, mas sim a que custo e, para isso, o monitoramento em tempo real tem papel fundamental. Temos um bom exemplo de redução de custos com energia elétrica a partir de instalação fotovoltaica, recomendo a leitura na matéria “Sistema Fotovoltaico em geração distribuída“.

 

Rodrigo Mizuno, Diretor do GrupoOrion

2 – Na última edição do anuário do GBC Brasil, foi realizada uma análise comparativa do desempenho de mercado dos empreendimentos comerciais LEED e não LEED em SP e RJ. Os resultados mostraram que prédios LEED possuem maior valor de aluguel; 7% menor na taxa de vacância no Rio e 9,5% menor em São Paulo e valores de condomínio menores. De acordo com o “know how” do GrupoOrion e uma visão holística mercadológica, retificaria ou ratificaria esses resultados para Brasília?

R.M.: O mercado de Brasília é centrado na administração pública e, por conta disso, tem algumas peculiaridades. Certificações sustentáveis atraem a atenção de todos, mas também elevam o custo inicial do projeto (de 0 a 5%). Além do mais, a capital do país tem diversos ícones arquitetônicos, o que dificulta a desocupação de alguns edifícios antigos e pouco eficientes. Para a administração pública, muito mais do que o título de certificação, serve a manutenção e operação com qualidade e bem alinhada com práticas de eficiência. Dessa forma, o retrofit de instalações é fundamental para a transformação da realidade local.

 

3 – Temos um discurso muito latente dos projetistas e empresas de consultoria que apontam, na maioria das vezes, as empresas de facilities como responsáveis pelo empreendimento não possuir a performance projetada devido à ausência de uma manutenção e operação correta. Gostaria que discorre um pouco sobre esse assunto, mencionando quais são as lacunas e como estamos evoluindo para que isso seja minimizado do mercado.

R.M.: A formação técnica tradicional disponibilizada pelo mercado ainda é muito defasada em relação à eficiência de instalações e novas tecnologias, sendo principalmente focada em disponibilidade. Diversas contratações de postos de mão de obra não levam em conta o diferencial de capacitação dos profissionais, limitando a remuneração ao piso da categoria e, dessa forma, perpetuando a ineficiência operacional. Pensar em alta performance significa ter uma equipe que, muito além de executar rotinas de manutenção, propõe soluções de referência internacional. Vale destacar que prédios mais novos e certificados naturalmente saem na frente no quesito de eficiência. Para edifícios antigos, a equipe de manutenção ser focada em performance é premissa para a mudança do cenário atual.

 

Rodrigo Mizuno, Diretor do GrupoOrion

4 – No dia 01 outubro de 2016, a versão 4 do LEED se tornou obrigatória a nível internacional. Esse fato, é conhecido como a elevação do nível do padrão técnico do mercado para o segmento da construção sustentável. Uma das novidades que se destaca é a Dynamic Plaque, onde será mensurado em tempo real a satisfação dos ocupantes, resíduos, eficiência energética, consumo de água e transporte. O objetivo é mostrar a eficiência da manutenção e operação da edificação, e caso haja algum problema, o mesmo possa ser reparado o mais rápido possível, com o intuito de manter a alta performance do empreendimento. Sr. Mizuno, gostaria da sua visão acerca desta novidade para a área de facilities.

R.M.: A ação orientada e motivada precisa sempre de metas e nada é mais desafiador do que aumentar gradativamente o sarrafo. Acreditamos que o futuro da gestão de facilities passa pelo acompanhamento em tempo real de parâmetros fundamentais de operação, valor expresso pela utilização da Dynamic Plaque. Esse comissionamento continuado é base para a manutenção da eficiência predial, já que permite o rápido ajuste de rota e com grande assertividade na redução de gastos desnecessários.

 

O GrupoOrion é Membro do GBC Brasil. Conheça a empresa clicando aqui.

 

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Uma resposta

  1. Lacres
    | Responder

    Muita boa a entrevista. Tratou de diversas temas que buscava com clareza.

    Samira Reis

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