Empreendimento consegue quatro das mais estritas certificações do mundo

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conservatorio-bannerO Conservatório e Jardim Botânico Phipps, em Pittsburg, líder global em práticas sustentáveis na construção, abre seu novo Centro de Paisagens Sustentáveis (Center for Sustainable Landscapes – CSL), um centro educacional, de pesquisa e de administração, e um dos edifícios mais sustentáveis do mundo.

 

Projetado e construído para gerar sua energia, enquanto trata e reusa toda água captada no terreno, o empreendimento é o primeiro no mundo a conseguir quatro das mais estritas certificações no mundo: O Living Building Challenge, Well Building Platina, SITES quatro estrelas e LEED Platina. A função principal do CSL é de aumentar o conhecimento da eficácia de sistemas sustentáveis e interconectividade entre todo ambiente construído e natural. Com um projeto que convida o visitante a explorá-lo, o CSL serve como um display das melhores tecnologias de energias renováveis, estratégias de conservação, sistemas de tratamento de água e paisagismo sustentável, incluindo e engajando muitos destes visitantes nestes tópicos pela primeira vez.

 

A intenção do CSL é de demonstrar a beleza da harmonia do viver do homem em conjunto com a natureza. O projeto revela a interconectividade entre todos os sistemas da natureza e dos construídos pelo homem, para que visitantes e sociedade possam melhor entender como cada ação influencia um todo, inspirando todos a levarem uma vida mais sustentável. O sol, terra e ventos são usados para iluminar, aquecer e resfriar o interior; plantas limpam água de reuso e todo espaço ocupado possui vistas da natureza. Esta abordagem holística usada para dar vida ao projeto, programas educacionais para mudança de hábitos e pesquisa que se conduz neste espaço podem ser aplicados de modo universal, criando comunidades que são mais saudáveis e em prol de toda vida.

 

Em estágios preliminares de projeto do CSL, o Instituto Phipps realizou workshops de planejamento com organizações locais, grupos da comunidade e Instituições. Para atingir esta meta ambiciosa de se tornar o edifício mais sustentável do mundo, dois anos de charretes, que ocorreram duas vezes ao mês, reuniram arquitetos, paisagistas, designers, engenheiros, experts em consumo energético e iluminação, consultores, acadêmicos, construtoras, orçamentistas, futuros ocupantes, membros da comunidade e outras partes interessadas. Esta proposta holística facilitou o processo de projeto integrado, e capitalizou no conhecimento coletivo e loops de feedback menores, ambos essenciais para realizar com sucesso este projeto. Parcerias com pesquisadores de engenharia, biologia, ciências sociais, saúde e pedagogia de grandes Universidades, organizações locais e nacionais levaram a projetos colaborativos de investigação de projetos e infraestrutura biofílicos, performance de edifícios verdes, eficácia de telhados verdes e biodiversidade, restauro de terrenos contaminados, biodiversidade em lotes urbanos, a base do aprendizado da ciência e benefícios físicos e psicológicos do contato com a natureza. O Instituto também é o primeiro e único a receber a certificação nível platina do Well Building Standard para espaços que contribuem para a saúde e bem-estar.

 

O terreno do CSL é nada menos do que um renascimento ecológico. Anteriormente, os 2.9 acres eram um pátio de propriedade da Prefeitura de Pittsburg, completamente pavimentado e com áreas classificadas como contaminadas, devido ao vazamento de tanques subterrâneos de armazenamento, não havendo cobertura ou ecossistema natural para preservar ou proteger. Transformou um lugar que antes era sem vida em um jardim público educativo, capaz de sustentar uma série de plantas regionais e ecológicas, gerando um amplo leque de paisagens, desde pradarias alcalinas a zonas úmidas e habitats aquáticos. O design se concentra em estratégias inteligentes (porém tradicionais) para limitar o escopo de reformas no futuro. Em seus ambientes internos, uma planta livre de escritórios com piso elevado permite flexibilidade e adaptabilidade em um futuro ainda. A maioria de seus sistemas são plug-and-play, permitindo atualizações para acomodar avanços tecnológicos. Um ciclo fechado, com plano de gerenciamento de ciclo de nutrientes pretende tornar o CSL um projeto net-zero waste, onde toda a biomassa é reciclada in-situ e compostos customizados de misturas de chá são usados para a manutenção de diversos habitats, mantendo uma biodiversidade crescente no terreno. Um plano de monitoramento continuo sustenta esta performance, informando o programa de manutenção e ainda criando uma oportunidade pedagógica para o Phipps continuar com sua missão educativa. É esperado que o projeto do CSL exceda uma vida útil de cem anos.

 

O Centro para Paisagens Sustentáveis foi projetado para obter a máxima exposição solar para uso de luz natural e ganho solar. A orientação também maximiza o uso de ventilação natural através de ventos da primavera e verão, enquanto minimiza a exposição à ventos invernais vindos do Oeste. Estudos solares deram base ao projeto para posicionamento de elementos de sombreamento, permitindo que o sol do inverno penetre o edifício enquanto minimiza o ganho solar no verão. Árvores caducifólias e videiras cobrem as paredes exteriores de concreto para integrar esteticamente o edifício e a paisagem, enquanto melhoram a performance energética do invólucro do edifício.

 

Reforçando as conexões com a natureza, o projeto do CSL garante que virtualmente qualquer pessoa dentro do edifício será banhado em luz natural, irá respirar ar fresco de alta qualidade e terá vistas da natureza. O átrio não é aquecido nem resfriado mecanicamente. Ao invés, estratégias passivas como uso de massa térmica e vidros de alta performance em janelas operáveis mantem uma temperatura confortável. Em adição as estratégias biofílicas, um programa extenso de arte biofílica promove um maior senso de conexão entre ambientes internos e externos.

 

O terreno de 2.9 acres do CSL é net-zero water, gerenciando toda água de chuva e tratando todo o resíduo sanitário no local. Também capta água de chuva em ½ acre de coberturas de edifícios vizinhos, garantindo que, anualmente, aproximadamente 1.900.000 litros de água sejam captados em um tanque subterrâneo. Esta água captada é utilizada para suprir a demanda de irrigação, reduzindo significativamente a demanda que seria gerada à rede pública de água e da energia usada para levar esta água ao terreno. Toda a água residual é tratada no próprio terreno, através de tanques de sedimentação, filtros de areia e UV antes de ser reutilizada como água de descarga nos sanitários do edifício.

 

O CSL se usa de estratégias passivas para conectar ocupantes ao mundo natural, uma estratégia que se provou benéfica ao conforto do ocupante e performance do edifício, representando uma redução de 73.8% de energia comparado à média. Cada ano, o excedente de energia renovável cresceu de 5.082 kWh em 2013 para 11.185 kWh em 2014 e 18.724 kWh em 2015. Por ser um edifício net-zero alimentado por energia gerada no próprio terreno, o uso de combustíveis fosseis e emissão de gases de efeito estufa são eliminados.

 

Através do projeto, construção e ocupação do CSL, todos os esforços foram feitos para promover uma economia de materiais transparente, socialmente equitativa e de baixa toxicidade. Durante a construção, 96.74% dos resíduos foram desviados de aterros.

 

O CSL foi projetado para ser um edifício que reflita os valores do Instituto Phipps e um modelo para projetos futuros. O CSL opera com quase um terço da energia usada por uma média comparável de um edifício de mesmo tipo e porte. Cada ano o Phipps paga menos por uso de energia para operar o edifício, devido ao projeto e a medições constante, que mantem o edifício net-zero. Além disso, o telhado verde deve durar o dobro do que um telhado comum, enquanto fornece isolamento ao edifício, ajudando na diminuição do uso de aquecimento e resfriamento.

 

Fontes:

https://phipps.conservatory.org/

http://www.archdaily.com/

 

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2 Respostas

  1. Neila Soares
    | Responder

    Gostaria de conhecer o processo e ser rep
    resentante no estado do Rio de Janeiro.
    Cordialmente
    Arq. Neila Soares

  2. Golias
    | Responder

    Bacana.

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