A Construção Industrializada e a Certificação LEED

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A industrialização da construção é uma tendência que tem se consolidado no cenário da Construção Civil brasileira.

Da mesma forma, a busca pela certificação LEED tem se afirmado junto às obras de destaque daquele cenário.

Ambas as tendências, a de um crescente grau de industrialização da construção quanto a uma cada vez maior busca pela certificação LEED, refletem o anseio de melhor qualidade do processo de construção, por parte daqueles agentes envolvidos nesse processo.

Esse aumento de qualidade tem por finalidade um aumento de desempenho do processo, bem como da edificação resultante ao final da obra e também do seu ciclo de vida.

Ao final e ao cabo, um maior desempenho de tudo isso, resultará em maior custo benefício, uma vez que o resultado final será o melhor, tendo custado o menor valor possível.

A industrialização da construção apresenta-se com uma tendência, na medida em que a fabricação de componentes capazes de serem montados em um canteiro de obras conformando uma edificação, possibilita que grande parte do processo construtivo se dê em um ambiente fabril, controlado, dotado de procedimentos padronizados que visam sua maior produtividade possível, minimizando o volume de resíduos gerados em sua produção, entre outros fatores como o maior nível de profissionalização da mão de obra.

Já a tendência de uma crescente busca pela certificação LEED, abrange aspectos relativos aos procedimentos adotados na obra para a preservação das qualidades naturais do terreno, à qualidade dos sistemas instalados, dos materiais empregados, entre vários outros.

Há algum ponto de cruzamento entre essas duas tendências?

Levando-se em consideração os aspectos que configuram a qualidade de um edifício certificado, aquele que remete-se à industrialização da construção é aquele que estimula e avalia a redução dos resíduos de uma construção, bem como a reutilização dos mesmos, uma vez que na indústria de fabricação dos sistemas construtivos a redução dos insumos é uma meta, da mesma forma que sua fabricação visa reaproveitar e reciclar os materiais envolvidos em sua confecção.

 

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Com isso, ao se utilizar sistemas e produtos provenientes da indústria, entende-se que um menor volume de resíduos esteja sendo gerado e que maior volume de resíduos possa ser reaproveitado.

Mas a construção industrializada apresenta outros aspectos pertinentes à certificação, como por exemplo um maior grau de formalização e profissionalização da mão de obra envolvida, maior controle de qualidade dos produtos gerados, melhor custo benefício a partir da produção em escala, sem falar no menor impacto no canteiro de obras ao levarmos em conta sua otimização, organização, limpeza uma vez que passa a assumir o aspecto de um canteiro de montagem.

Seria cabível que o USGBC, organismo visionário e articulador da certificação LEED no mundo, viesse a considerar a possibilidade de criar um crédito que contempla-se a utilização da construção industrializada na confecção de edifícios?

O fato de a construção civil nos Estados Unidos já ser caracterizada por um alto grau de industrialização, talvez torne redundante essa opção dentro do cenário americano.

Mas o cenário brasileiro é bastante diferente. Haja visto a ausência de uma política clara, voltada para a indústria nacional como um todo e seu crescente grau de encolhimento.

No entanto, foi a indústria que tornou as nações hoje conhecias como desenvolvidas o que são. São as nações industrializadas que direcionam o processo de desenvolvimento do mundo como um todo, em que pese sua participação no mercado de commodities internacional.

A título de sugestão fica a pergunta.

Como reflexo da busca por uma maior qualidade das edificações veio a busca pela certificação LEED. A partir daí uma série de serviços e produtos foram criados e trabalho foi gerado, beneficiando indiretamente toda uma cadeia produtiva.

O crédito atribuído à utilização de sistemas construtivos industrializados por exemplo, poderia fomentar um maior grau de industrialização da construção civil brasileira e como consequêcia, se desdobrar em uma série de outros aspectos positivos para o desenvolvimento do país.

É importante aproveitar este espaço, para frisar que o desenvolvimento do Brasil, fundamental para o bem estar de todos deve necessariamente ser embasado pelo setor industrial, do qual faz parte a construção civil. Do setor industrial provém a inovação e a busca pela produtividade, componentes fundamentais para a soberania nacional.

 

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SAIBA MAIS

 

Texto escrito por:

Arq. Márcio M. Porto, sócio-diretor do escritório de arquitetura Sidonio Porto Arquitetos Associados. Ganhador de vários prêmios do segmento. Participou de exposições nacionais e internacionais como a Bienal de Arquitetura.

 

 

 

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