Certificação WELL, colocando as pessoas em 1º lugar

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“Putting people first – designing for health and wellbeing in the built environment”, British Council for Offices, 2015

 

 

 

“Buildings that actively promote health and wellbeing of the occupants should be an integral part of every design and the WELL Standard outlines a great methodology to achieve this”.

“Edifícios que promovem ativamente melhorias para a saúde e o bem-estar dos ocupantes devem ser parte integrante de cada projeto, e para isso, o Padrão WELL descreve uma excelente metodologia”.

Pallavi Mantha, Consultora de Sustentabilidade e Energia da Arup NY, LEED AP e Provisional WELL AP.

 

 

 

 

 

 

 

Por que mais uma certificação no mercado?

A resposta mais simples e direta seria que nenhuma certificação coloca as pessoas em 1º plano, valorizando a experiência e percepção do usuário no ambiente construído.

Mas há muito mais valor agregado nas entrelinhas… passamos grande parte de nossa vida em ambientes construídos. Estima-se que mais de 90% de nosso tempo. Portanto, a qualidade dos espaços tem um impacto direto em nossa qualidade de vida, saúde, bem-estar e produtividade. Todos empresários sabem que o maior ativo de empresa são seus funcionários, e que estes, representam o maior custo operacional. Considerando um ciclo de vida de 30 anos de um edifício de escritórios, o custo com funcionários pode chegar a até 92%. (Sustainable Building Technical Manual/ Joseph J. Romm. “Lean and Clean Management”, 1994).1

Arquitetos e engenheiros podem impactar na vida das pessoas e torna-las mais felizes e saudáveis? A resposta já é conhecida desde os anos 80, quando começou a discussão da síndrome do edifício doente. Com resultado desta discussão diversas normas foram criadas, impondo ventilação mínima aceitável; limites de toxidade de materiais; etc.

A figura representa a interação entre PESSOAS - Recursos Humanos x FINANÇAS – Recursos financeiros x EDIFÍCIO – instalações físicas.  Alguns indicadores representativos: faltas; reclamações; afastamentos médicos; rotatividade de funcionários; renda/ faturamento; etc.
Como o edifício afeta as pessoas? – Fonte WGBC

 

 

 

 

Nas últimas décadas, os estudos sobre impacto do ambiente construído e a saúde dos usuários comprovaram que os edifícios possuem impacto muito maior nas pessoas que se apropriam do espaço. Pacientes que tinham vista para paisagens e com natureza tinham uma recuperação mais rápida; trabalhadores que habitam ambientes com maior renovação de ar tinham uma reduziam a quantidade de faltas por motivos de saúde em até 35%. Além do que espaços desenhado com o foco no bem-estar dos usuários que podem aumentar em até 22% a produtividade dos funcionários, segundo pesquisa conduzida pela Gensler “The Gensler Design + Performance Index, The U.S. Workplace Survey” (2006). A mesma pesquisa também identificou que 90% dos funcionários admitem que sua atitude no trabalho é afetada pela qualidade do ambiente de seu escritório.

Em 1999, American Society of Interior Designers também realizou um estudo sobre a retenção de talentos nas empresas, a pesquisa “Recruiting and retaining qualified employees by design. ” (1999) aponta que a sensação psicológica sobre ambiente de trabalho é um dos fatores que mais afeta a satisfação em relação ao trabalho e que 50% das pessoas procura empregos nos quais se sintam confortáveis no ambiente de trabalho.

Em resposta a esta crescente demanda, o International Building Institute (IWBI) juntou-se com Green Building Certification Institute (GBCI), responsável pela certificação LEED, para promoção da certificação WELL. Ou seja, o WELL foi uma iniciativa pioneira e reconhecendo o valor e importância do tema, o UGBC apoia e promove o WELL.

Certificação WELL x LEED      

Há um movimento emergente para implementar mais estratégias voltadas ao meio ambiente, focadas em sustentabilidade, saúde e bem-estar no ambiente construído. O movimento de sustentabilidade tem se centrado sobre o desempenho ambiental, que é um aspecto distinto e importante da construção de design. Este aprendeu a distinguir exemplos de greenwashing (que são iniciativas autodenominadas sustentáveis, porém sem nenhum fundamento), e criou benchmarks através de sistemas de classificação de construções sustentáveis, iniciativas para saúde e bem-estar que se beneficiarão da aplicação de estratégias baseadas em pesquisa científica e padrões de uso.

Neste ponto, os leitores devem estar se perguntando se estamos nos referindo a certificações ambientais como LEED e Aqua ou sobre o WELL. Na verdade, sobre ambas. Todas as certificações foram criadas como ferramenta para parametrizar e diferenciar estratégias ou empreendimentos sustentáveis aos que se autodenominam sustentáveis.

Já é de conhecimento comum, que a certificação LEED foi criada para que empreendimentos possam medir seu nível de sustentabilidade, em relação aos demais empreendimentos de mesma categoria: interiores; construções novas; operação; etc. O foco da certificação LEED é fundamentalmente as emissões de CO2 e utilização de recursos naturais (energia; materiais; água) enquanto menos de 28% de seus requisitos é focado na saúde e bem-estar dos usuários (LEED v4).  3

Para complementar a certificação LEED, a certificação WELL, desenvolvida no Instituto Internacional de Edificações WELL, é um novo padrão voltado inteiramente para a saúde e o bem-estar dos ocupantes do edifício. A aplicação de métricas e mensuração de resultados será uma parte importante para impulsionar o movimento de saúde e bem-estar para a frente. O World Green Building Council tem incentivado as empresas a se concentrar mais em como o design pode melhorar estes 3 pilares (saúde, o bem-estar e a produtividade) do colaborador, e sugere incorporar métricas que abordem resultados físicos, perceptíveis e financeiros (WGBC, 2014).

A implementação bem-sucedida de estratégias de saúde e de bem-estar vai exigir tanto uma melhor compreensão da investigação em ciências médicas relacionadas e uma colaboração mais profunda entre proprietários, arquitetos, engenheiros, empreiteiros e gerenciamento de instalações para identificar os critérios de projeto que vão além do conforto e do edifício e, adicionalmente, incorporar customização e experiência do usuário no espaço construído. Através da incorporação de inicitativas para a saúde e bem-estar na vanguarda do design, o objetivo é criar ambientes melhor construído para as pessoas.

Resumindo, WELL e LEED tem propostas e abordagens bem distintas para medir a sustentabilidade dos empreendimentos. Qual é a ideal para os empreendimentos? Ambas, pois são certificações complementares. O WELL é o enfoque humano que faltava nas certificações ambientais, e aqui podemos incluir não apenas LEED, mas também BREEAM, AQUA, Living Building Challenge.

Fonte: Arup

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para melhor exemplificar, as certificações ambientais (LEED) tem como foco a quantidade de água potável consumida, como o WELL tem o foco humano, a preocupação será com a qualidade desta água consumida.

 

LEED WELL
Foco no desempenho ambiental Foco nas pessoas
Consumo de recursos Qualidade dos recursos
Categorias- Terreno- Consumo de água- Energia- Materiais- Qualidade do ambiente construído Categorias- Ar- Água- Nutrição- Iluminação- Condicionamento físico- Conforto- Mente
Requisitos de projeto Baseado na performance apresentada em teste no local
Conforto baseado em parâmetros de projeto Conforto baseado em elementos físico e não físicos.

 

 

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Texto escrito por Cibele Romani – Consultora Sustentabilidade LEED AP da empresa Membro do GBC Brasil: Arup

Uma resposta

  1. marcos
    | Responder

    Gostei muito do artigo e posso informar que a SETRI CONSULTORIA EM SUSTENTABILIDADE, membro do GBCB já está com seu registro número ID 472 para a certificação WELL no seu escritório em São Paulo. Já temos 90 % da documentação no WELL on line e esperamos a certificação para o início de 2016, sendo a primeira empresa no Brasil a solicitar a certificação

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